É provável que todos já tenham, ao menos uma vez, ouvido menção à célebre Lei de Murphy. E, igualmente, é provável que muitos já tenham se sentido especialmente atingidos pelos efeitos de tal princípio, como se perseguidos por um azar inescapável atribuído a um enigmático cientista.
Refere-se a ele como enigmático porque há diversas versões sobre a origem e identidade do físico que formulou o postulado hoje conhecido como Lei de Murphy. Algumas fontes indicam que Murphy teria atuado na NASA, defendendo a ideia de que, independentemente do rigor técnico aplicado no lançamento de uma nave espacial, sempre haveria algo propenso ao erro, fosse um componente mal ajustado ou uma variável negligenciada. Outras versões o descrevem como engenheiro da Força Aérea norte-americana, envolvido em 1949 em projetos com veículos impulsionados por foguetes, ocasião em que um equívoco técnico gerou sua emblemática conclusão: “Se algo pode dar errado, certamente dará”.
A partir desse princípio, surgiram inúmeras variações que expressam, com humor e certo pessimismo, a noção de que o erro é não apenas possível, mas quase inevitável. Entre os exemplos popularmente conhecidos, destacam-se:
- “Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone”.
- “A informação mais necessária é sempre a menos disponível”.
- “A fila do lado sempre anda mais rápido”.
- “Por mais tomadas que haja na casa, os móveis estão sempre na frente”.
- “Toda partícula que voa sempre encontra um olho”.
- “Você sempre acha algo no último lugar que você procura”.
Tais máximas, embora revestidas de comicidade, refletem uma realidade muitas vezes vivenciada no cotidiano, em que os percalços se acumulam a ponto de gerar desânimo ou sensação de impotência diante das adversidades.
É justamente nesse cenário de incerteza e falibilidade que a figura do advogado se revela essencial. Em um universo regido por variáveis imprevisíveis, como bem postula a Lei de Murphy, o advogado representa o contraponto racional, técnico e estratégico. É ele quem antecipa riscos, elabora cláusulas preventivas, interpreta normas jurídicas e traça alternativas viáveis para contextos adversos.
Embora não possa garantir que tudo ocorrerá conforme o planejado, pois conhece bem a natureza incerta da realidade e do Direito, o advogado é capacitado para agir de forma diligente mesmo diante do inesperado. Sua atuação não consiste em prometer ausência de problemas, mas em oferecer caminhos seguros, respaldo técnico e alternativas jurídicas quando tais problemas surgirem.
Dessa forma, enquanto a Lei de Murphy adverte de que falhas são inerentes aos sistemas, a advocacia assegura que, para cada falha, há ao menos uma hipótese de solução. No mar agitado das contingências da vida e dos conflitos jurídicos, o advogado não é um salvador miraculoso, mas um profissional preparado para orientar, defender e restabelecer a ordem.
Ainda que não se esteja imune às adversidades, contar com a atuação de um advogado é, por vezes, o que permite atravessar as “águas turbulentas” da vida com maior segurança.
Que não falte discernimento para compreender que o imprevisível é parte da existência, mas que também nunca falte um bom profissional do Direito, para que se possa enfrentar o caos com clareza, firmeza e respaldo jurídico.